TRÉGUA NO ORIENTE MÉDIO?

Gaza: Israel e Hamas dizem que vão negociar cessar-fogo aprovado no Conselho de Segurança da ONU

Resolução apresentada pelos EUA prevê cessar-fogo de seis semanas, recuo das tropas israelenses em Gaza e libertação de reféns

Conselho de Segurança da ONU aprova resolução de cessar-fogo entre Israel e Hamas.Créditos: Stephanie Keith/Reuters/Folhapress
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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta segunda-feira (10), uma resolução apresentada pelos Estados Unidos para o cessar-fogo no conflito entre as forças militares de Israel e o grupo islâmico-palestino Hamas. A proposta, que teve 14 votos favoráveis, nenhum contrário e uma abstenção prevê, entre outros pontos, um cessar-fogo de seis semanas na Faixa de Gaza, recuo das tropas israelenses e libertação de reféns

Logo após a aprovação da resolução, representantes dos EUA afirmaram que o governo de Israel aceitou negociar a trégua com o Hamas. Segundo a embaixadora estadunidense na ONU, Linda Thomas-Greenfield, o Estado israelense "já concordou" com o acordo e que só falta o Hamas cooperar. 

"Hoje, o Conselho manda uma mensagem clara ao Hamas: aceite a proposta de cessar-fogo .Israel já concordou com o acordo e o conflito poderia parar hoje, se o Hamas fizesse o mesmo. Repito: o conflito poderia parar hoje", declarou. 

Oficialmente, entretanto, o governo israelense ainda não se pronunciou sobre a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. 

O Hamas, por sua vez, divulgou um comunicado oficial, via Telegram, informando que aceita cooperar e negociar o acordo com Israel. 

“O Hamas sublinha a sua disponibilidade para cooperar com os mediadores para se envolver em negociações indiretas sobre a implementação destes princípios que sejam consistentes com as exigências do nosso povo e da resistência”, diz o texto do grupo islâmico-palestino. 

Manifestação pró-Palestina na Casa Branca 

Milhares de manifestantes se reuniram na porta da Casa Branca em Washington, nos Estados Unidos, no último sábado (8), para exigir o fim da guerra na Faixa de Gaza e do apoio estadunidense a Israel. A manifestação lembrou os oito meses do início do conflito na região.

A movimentação, segundo informações da Reuters e AFP, fez com que o governo americano tomasse várias medidas de segurança já na véspera do evento. Foi cercado com grades o entorno da residência oficial do presidente americano Joe Biden, que está em viagem oficial à França.

"Em preparação para os eventos deste fim de semana em Washington, que têm potencial para reunir grandes multidões, medidas adicionais de segurança pública foram implementadas perto do complexo da Casa Branca", disse um porta-voz do Serviço Secreto dos EUA.

Os manifestantes estavam vestidos de vermelho. Segundo organizadores, a cor foi para lembrar a reação de Biden após o ataque israelense a Rafah, quando foram mortos dezenas de palestinos em acampamento de deslocados.

Biden afirmou que Israel não havia ultrapassado a a "linha vermelha" traçada pelos EUA para suspender o envio de armas ao país em guerra.

Apesar de ter pausado o envio de um carregamento de bombas para Israel, segundo anúncio feito em maio, o apoio militar de Washington a Tel Aviv segue intacto. A pausa teria como objetivo, segundo anúncio da Casa Branca, evitar que armas americanas fossem usadas em um possível ataque à cidade de Rafah. Mais de 1 milhão de moradores na Faixa de Gaza se deslocaram para o local.

Veja o vídeo abaixo: