Protestos contra o governo de Cuba fracassam; entenda

Liderados pelo escritor Yunior García, o grupo opositor Arquipélago é acusado de ser patrocinado pelos EUA

Free image/Havana on Cuba
Escrito en GLOBAL el

Estava marcado para esta segunda-feira (15) um protesto em Cuba Estava marcada para esta segunda-feira (15) uma manifestação contra o governo de Cuba, mas, ninguém compareceu. A única manifestação que teve foi por parte do governo para celebrar a retomada das aulas e do turismo após 20 meses.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, descreveu a convocação como uma "operação fracassada".

https://twitter.com/BrunoRguezP/status/1460226943408914437

Por meio de suas redes, o ministro Bruno Rodriguez escreveu diretamente para o Secretário de Estado do EUA Antony John Blinken e afirmou que ele e o governo Biden precisam aprender que "o único dever do governo cubano é para com seu povo".

"Secretário de Estado do EUA Antony John deveria aprender de uma vez por todas que o único dever do governo cubano é para com seu povo e rejeita, em seu nome, a interferência dos Estados Unidos. Defendemos o direito de desfrutar, em paz, do nosso avanço rumo à normalidade e enfrentar, sem interferências, os desafios que temos pela frente", criticou Rodriguez.

https://twitter.com/BrunoRguezP/status/1459953586092359686

O comentário do ministro de Cuba foi uma resposta ao Secretário de Estado de criticou o regime Cubano e afirmou que os protestos que deveriam ter acontecido nesta segunda "seria uma demonstração de força".

"O regime cubano tem a oportunidade de ouvir e ouvir o povo cubano durante as manifestações pacíficas no # 15N e de demonstrar respeito pelos direitos humanos. Elogiamos o valente povo cubano, que mostrou a força de sua vontade e o poder de sua voz", disse o secretário do governo Joe Biden.

https://twitter.com/SecBlinken/status/1459930352550559745

Protestos em Cuba: o grupo Arquipélago

O grupo responsável pelos "protestos" em Cuba é chamado de Arquipélago e tem como liderança o escrito Yunior García que, um dia antes das manifestações marcadas para esta segunda, concedeu uma longa entrevista à BBC.

O texto que compõe a entrevista cria toda uma atmosfera de personagem perseguidos pelo regime cubano. Entre várias coisas, é dito que foram realizadas 56 chamadas para conversar com García até que a ligação fosse bem-sucedida.

Dessa maneira, "os problemas com seu telefone são uma das muitas medidas que as autoridades cubanas tomaram desde que García criou uma plataforma de oposição chamada Arquipélago e convocou uma 'Marca cívica pela mudança'", diz o texto.

O líder do grupo que reúne cerca de 30 pessoas declarou à BBC que eles pediram autorização ao governo para realizar marchas, mas todas foram negadas.

Para o escritor que lidera o grupo de opositores, o fato de o governo cubano não ter autorizado a manifestação "tira as máscaras do governo".

"Essa iniciativa [tentativa de realizar manifestação] já foi uma vitória retumbante, porque tiveram que mostrar ao mundo o que realmente são", disse Yune Garcia.

Contradições

Yunes Garcia é questionado pela publicação porque mudou de postura em relação ao governo de Cuba, visto que trabalhou durante anos para instituições governamentais do país, escreveu para produções televisiva estatais e ainda assinou uma carta ao presidente dos EUA Joe Biden contra o embargo.

As respostas de Garcia são evasivas e ele não consegue explicar por que antes defendia o regime e agora o classifica como "ditadura".


Questionado sobre como o grupo Arquipélago se financia, Garcia declarou que ele não precisa de dinheiro para atuar.

Cuba em defesa da revolução

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel acusa o grupo Arquipélago de buscar desestabilizar o governo e de ter apoio do governo estadunidense.

Para demonstrar que o seu governo conta com o apoio de parcela da juventude cubana, o presidente do país reuniu com o grupo Pañuelos Rojos, coletivo de ativistas que se formou a partir das redes sociais e que defende a revolução cubana.

https://twitter.com/DiazCanelB/status/1460021634434310146

Curiosamente, tal grupo não ganha destaque na imprensa internacional, muito menos longas entrevistas em grandes canais de comunicação.

https://twitter.com/DiazCanelB/status/1460227544217751559

Lula critica embargo dos EUA a Cuba


O ex-presidente brasileiro também foi indagado sobre a ação do governo cubano sobre os protestos que aconteceram na ilha. Lula disse “que é um direito das pessoas protestarem, de dizerem que gosta ou que não gosta” e que todos os políticos adoram aplausos, mas odeiam vaias”.

O ex-presidente, no entanto, fez questão de criticar duramente o embargo dos EUA sobre a ilha.

“Cuba tem uma similaridade que não podemos aceitar nunca. Não é justo, não é normal, não é democrático, não é prudente para a questão dos direitos humanos um bloqueio durar 60 anos. Não é normal que os EUA não aprenda que eles perderam a revolução para os cubanos e que eles precisam permitir que os cubanos decidam o próprio destino”, afirmou, ressaltando que a questão “é uma eterna guerra fria”.

Com informações da BBC

Temas